Terça-feira, Março 27, 2007

Mancha no carpete

Estava na sala de espera do médico pela 3a vez este mês. Como sempre, ele estava atrasado. Como sempre, fiquei reparando no ambiente. Aquela mancha no carpete estava lá na semana passada. Na verdade, aquela mancha estava lá desde a minha primeira consulta. Aquela mancha certamente estará lá quando voltar da próxima vez. Acho que isso acontece não porque as pessoas não enxergam as manchas. Acho que elas simplesmente deixam de prestar atenção. Se não resolvidas imediatamente, as manchas simplesmente começam a fazer parte do ambiente.
Aos poucos, você começa a se sentir incomodado. Deixa de se sentir bem no ambiente. Será que os movéis não estão legais? Será que preciso pintar a parede? Você começa a fazer reformas no ambiente. Mas conforme a mancha continua lá, no carpete, sem você reparar, nada soluciona o seu mal-estar.
Disso tiro 2 conclusões:
1) nunca adianta perguntar para uma pessoa porque ela sente o que sente. Como é que ela vai poder racionalizar o que sente se ela não consegue ver suas manchas? Ok...algumas manchas vocês enxerga, mas só algumas (é que eu gosto de exagerar para fazer o ponto)
2) melhor você começar a treinar a enxergar manchas. Pelo menos, assim você vai poder economizar tempo e energia em reformas desnecessárias.
Meio melodramático... mas eu precisava voltar a escrever.

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Open Spaces são produtivos?

Muitas pessoas que trabalham em escritório odeiam open spaces (isto é, estes lugares abertos com mesas próximas umas das outras). Razões dadas são muitas: falta privacidade, todos falam ao mesmo tempo, não dá pra conversar com headhunters, é ridiculo ter que ficar ouvindo a mulher feia que senta ao seu lado marcar depilação, etc. A maior reclamação é que não dá pra se concentrar com tanta coisa acontecendo e que a produtividade cai. Tudo besteira de quem não quer se modernizar, dizem os defensores. Eles dizem que as pessoas não querem perder os privilégios de salas fechadas. Será?
Pesquisadores da UCLA (Universidade da California) acabaram de completar uma pesquisa mostrando que quanto mais distrações no ambiente, menos as pessoas aprendem e produzem. Foram testados sons, imagens e acontecimentos em geral. Mais detalhes.
Quer dizem então que interação, sons, imagens ambiente são sempre ruins? Acho que não. Eles são ótimos para criar espírito de time, inspirar criatividade, etc.
Acho que o melhor caminho seria uma mescla de espaço pessoal silencioso para produção eficaz e espaço coletivo com sons, imagens e pessoas para inspirar.





Terça-feira, Março 28, 2006

Devemos Adestrar Pessoas?

Talvez porque tenha escrito sobre cachorros na semana passada, me perguntaram o que achei do programa Traga Seu Marido na Coleira. Basicamente, as mulheres cansados dos seus maridos mau educados, preguiçosos e gordos usam a ajuda de uma adestradora de cachorro para "consertá-los". Não vi o programa, mas para espanto geral eu adorei a idéia. Adoro o conceito de adestramento. Deveriamos adestrar cachorros, maridos, mulheres, crianças etc. Todo mundo devia ser adestrado.

Usar adestramento, que ficou famoso pelas pesquisas do cientista Russo Ivan Pavlov na década de 20, em pessoas não é nada novo. As organizações de alta performance já usam a muito tempo. O exército, os grandes cultos e algumas multinacionais sempre adestraram pessoas . Mas porque isso é bom?

O adestramento (bem feito!) dá uma estrutura formal para o aprendizado. O adestramento(bem feito!) possibilita que você treine a exaustão o uso de um comportamento a um estímulo. O adestramento possibilita que você seja rápido e eficiente no uso de técnicas. Na verdade, por definição (pois você não pode ser adestrado sem treinamento incessante) uma pessoa adestrada tem domínio total da técnica.

Mas o que isso tudo tem a ver com maridos, mulheres e filhos? Acho que tudo. Acho que pirraça, preguiça, falta de educação são apenas reflexos de uma mente pouco treinada e sem foco. Quer exemplos? Alguns Reality Shows mostram bem os resultados de um bom adestramento. Para crianças, veja Supernanny onde crianças consideradas possuidas, com ADD, infelizes, etc se transformam em divertidas, espertas e educadas em pouco tempo. Profissionalmente? Veja Tudo é Possível, onde se consegue transformar um fazedor de hamburger em um chef de qualidade internacional em 4 semanas através de técnicas claras de adestramento.

E para os que acham que adestramento cria robos sem criatividade. O fazedor de hamburguer que virou chef, venceu uma competição 4 chefs experientes usando uma receita própria (criação dele).

Adestre seu marido ou mulher também!

Quarta-feira, Março 22, 2006

Descomplicado como um cachorro?

Reportagem da revista Época desta semana sobre o livro Igual ao Um Cão Pastor do escritor Goeff Burch. O livro é uma transcrição de palestras de estratégia e motivação que Geoff faz para grandes empresas. Ele vende a idéia que devemos descomplicar as coisas: "manter um pensamento básico mas obsessivo de atingir a meta" diz o artigo. Que "devemos nos concentrar no início e fim do objetivo sem perder tempo com ansiedade e depressão típica dos seres humanos." Gosto da idéia de manter as coisas descomplicadas e básicas. Básico é bom. Básico nos mantém focados no principal e nos protege de desvios não desejados. Não sei se o livro é bom (artigo deixa dica que não deve ser tão bem escrito), mas a idéia é ótima.
O que me deixou um pouco intrigado foram as informações sobre comportamentos e sentimentos dos cachorros. Tipo: o cachorro sempre está alegre ou esperando para ficar alegre. Que ele possui este tal pensamento básico e obsessivo. Que ele não tem ansiedade, etc. Como é que se sabe tanto sobre o funcionamento mental dos cachorros? Comportamento biológico e social eu entendo. Psicologia animal me parece pura enrolação. Vou perguntar para a Monica se seu novo cachorro Floquinhos é tão focado e descomplicado assim. De repente ela sabe mais que eu (também nisso).
De qualquer forma, fico imaginando que a expressão "o meu chefe é um cachorro!" vai começar a ter uma conotação mais positiva do que no passado.

Sexta-feira, Março 10, 2006

Beleza é Fundamental?

“Que me desculpem os porcos mas beleza é fundamental” um amigo meu costuma dizer. Ele não está se referindo a mulheres. Nem carros. Nem nada em especial. Na verdade ele está se referindo a sua filosofia de vida.

De acordo com ele, a beleza não é fútil ou superficial. A beleza é a vontade de fazer o melhor em tudo que você faz. É fazer o mais perfeito com relação a conteúdo e estética. Ele divide as pessoas em 3 tipos:

#1 Os Porcos são aqueles preguiçosos buscam “a lei do mínimo esforço”. Fazem as coisas de qualquer jeito, só para terminar logo e dizer que fizerem. Normalmente são estes que reclamam que a vida é injusta. Que não sabem porque nada dá certo, etc.

#2 Os medíocres recalcados. Divididos em 2 tipos. Os que cultuam só a beleza estética, mas acham que conteúdo é coisa de otários, chatos ou frescos. E os que cultuam só o conteúdo que acham que estética é fútil e superficial. Todos estes são recalcados por que não entendem como os outros conseguem tanta atenção e medíocres pois não entendem que a beleza está no todo.

#3 Os Zen. Estes entendem a importância da busca da beleza (conteúdo e estética). Tiram prazer em cada tarefa não por causa da tarefa, mas no prazer de fazer o melhor. Zen neste caso não tem conotações religiosas, mas seu significado original (eu acho) que é o de buscar a essência de cada tarefa.

Gosto do conceito. Inspira a que eu busque o melhor. Fico pensando também como certos lugares tem este conceito tão absorvidos que inspiram (ou inspiraram) idéias cientificas, artes, musica, etc. Acho que a Europa em geral é assim. Itália, França, etc. Não é de se espantar que grandes gênios tenham nascido lá.

Atualmente, a Espanha tenta inspirar o desenvolvimento através da beleza estética e funcional. Adoro ver os exemplos de arquitetura (que é só uma expressão de todo o processo). Dá pra imaginar que as imagens abaixo são de um mercado e de um aeroporto? Agora imagine a 25 de março em SP ou o aeroporto Santos Dumont no RJ.



Terça-feira, Março 07, 2006

A Infelicidade da Mulher Moderna

As mulheres estão infelizes no casamento. Sem novidades aqui. As mulheres casadas que trabalham são mais infelizes do que as mulheres que não trabalham. Ops... Na verdade, as mulheres casadas que trabalham e possuem ideais feministas (estereótipo da mulher moderna) são mais infelizes ainda! Sério? Mas por que?

Artigo Desperate Feminist Wives mostra pesquisa com todos os dados. Não estou preocupado com os números agora. Também mostra que as explicações tradicionais são furadas (“mulheres não sabem o que querem”, “homens ainda não ajudam em casa”, etc). Está tudo no artigo. O que me importa é outra coisa. O que me importa é o motivo dado para a infelicidade destas mulheres.

De acordo com a pesquisa, mulheres casadas que trabalham e tem ideais feministas tem um grande problema de expectativa. Em um casamento tradicional todos sabem seus papeis. Todos sabem o que fazer e como podem se comportar. Todos sabem o que aceitável e o que não é. E todos sabem quando alguém está pisando na bola.

O problema com as feministas (deste ponto de vista), é que elas tem muitas opções. Não há regras claras. Elas podem fazer o que quiserem. Elas podem escolher o que quiserem. Como saber o que é bom e o que é ruim quando você tem tantas opções? Contrário à sabedoria popular, mais opções não significa mais satisfação. Quando chegamos ao supermercado e vemos 6 opções de geléia, nós escolhemos uma. Quando temos 24, nós ficamos confusos e não compramos nada (exemplo do artigo).

De acordo com o artigo, mulheres mais tradicionais (com expectativas mais claras) ficam mais felizes mesmo quando tem que fazer algo que não planejaram (tipo trabalhar) porque sabem exatamente porque estão fazendo isso (necessidade financeira por exemplo). Isto é, expectativas claras = maior satisfação. Não vou entrar em julgamentos de valor. Simplesmente é assim.

Gosto muito do assunto desde que li em algum livro que não me lembro o nome (também baseado em pesquisa quantitativa grande) que a principal causa de satisfação no mundo corporativo era ter uma expectativa clara dos seus objetivos e com chegar lá. Nada de salário, recompensa, promoção, etc. Alguém dando uma direção clara e objetiva é o suficiente.
Impressionante como o padrão se repete!

Sexta-feira, Março 03, 2006

Qual a principal característica de um líder?

O que é que faz de alguém um grande gerente, um líder? Um grande amigo meu diz que em um mundo complexo, globalizado e "downsized" como o nosso, um grande líder é aquele que consegue resultados através dos outros (ou seja, seu time). Ah, perfeito; estamos falando de ter um bom time, saber delegar, motivar, etc. Mas como é que se faz essa coisa toda? O que é que divide os grandes, dos bons, dos mediocres?
Estava lendo esse excelente artigo da revista Slate sobre o vídeo do Pres Bush feito durante o Katrina briefing(mostrando que Bush sabia com antecedencia sobre o furacão e seus riscos). Poucas vezes vi uma análise tão objetiva, clara e insightful. O que mais incomodou o colunista (John Dickerson) não foi o fato de Bush mentir ou não fazer nada com a informação. O que mais preocupou John foi o fato de Bush não fazer perguntas. Muito menos boas perguntas.
Segundo John, uma boa pergunta é capaz de inspirar um time. Uma boa pergunta é capaz de fazer o time focar no mais importante. Uma boa pergunta é capaz de fazer com que o líder controle a execução de seu time mesmo que ele não saiba detalhes do dia-a-dia. Quando um líder não sabe fazer perguntas, é "cada um por si". Isto é, cada um se sente solto para fazer o que bem quiser. Ou melhor, receita para fracasso.
Simples: bons líderes sabem fazer boas perguntas!
Mas o que é uma boa pergunta? Ah, boa pergunta...